Thursday, August 04, 2005

Então e agora? (DN 02/08/05) comentario

Então e agora?
elisabete frança
Vai tudo de férias e acabou-se? Em Março, estava longe de pensar que Le Sacre du Printemps, de Stravinsky, na coreografia de Marie Chouinard, e a de Paulo Ribeiro para Três Partituras de John Cage/Drum Bass, seriam as últimas peças dançadas no Grande Auditório da fundação pelo Ballet Gulbenkian (BG), estreado como Grupo Gulbenkian de Bailado, que segui desde o Politeama, de 1965 até à abertura do edifício-sede. Ainda em Março, pensava, sim, que o BG, com fases mais e menos boas nestes 40 anos, exibia excelente energia criativa, nível artístico e técnico. Anteontem, fora da fundação como há 40 anos, dançou pela última vez o BG, na sede da Companhia Nacional de Bailado, sua filha clássica, de si saída em 1977.
E agora? Vai tudo de férias e acabou-se?
Será consequente a acção cultural anunciada por uma administração que, abruptamente (estúdio coreográfico em marcha, temporada anunciada, ensaios iniciados, assinaturas vendidas), cancelou tudo e extingiu a companhia? Ao contrário de tanta empresa e instituição, a Gulbenkian goza de boa saúde financeira. Porque não decidiu, por exemplo, anunciar a temporada a vir como última, propondo, a poderes públicos e eventuais mecenas, a continuidade do grupo noutros moldes? Era o mínimo a esperar duma entidade cujo respeito se nos impusera, oásis no nosso deserto, mantendo-se, mesmo após 1974, na vanguarda da oferta artístico-cultural.
Em anos recentes, porém, à mão que dava sobrepôs-se a mão que tira (Jornadas de Música Antiga, Encontros de Música Contemporânea, Bibliotecas, Encontros Acarte). O próprio Serviço Acarte foi extinto. Acredita-se que, quem liquida um serviço de educação pela arte (Acarte) aposte, fundamentalmente, na formação, conforme apregoa? O BG formava, enquanto escola e viveiro de criadores dele saiu a geração da Nova Dança Portuguesa. No entanto, é mais barato financiar avulso, exibindo a flor mecenática na lapela... embora as frágeis companhias existentes não tenham, de todo, condições para suceder ao BG.
Então e agora? Vai tudo de férias e acabou-se?

Alegria desesperada (DN 02/08)

Only some quotes, the whole article is here:
http://dn.sapo.pt//2005/08/02/artes/alegria.html

"O Ballet gulbenkian, no espectáculo de despedida, não só ofereceu a sua arte a amigos e desconhecidos, mas ainda subverteu a tristeza que, à partida, dominava os ânimos ...[...]...
O programa e a mensagem divulgados pelo Ballet Gulbenkian (BG), em folhas A4, sob o título Domingo no Teatro Camões ..[...].. podia tomar-se, à partida, como uma espécie de epitáfio para participantes no ritual fúnebre da companhia. "Não venho ao funeral, faço parte do morto, de alguma maneira", dizia ao DN Nuno Carinhas, acompanhado pela cenógrafa Ana Vaz. O ex-colaborador do BG, também cenógrafo e figurinista ..[...].. lamentava que, no quadro do encerramento diário de fábricas no País, "tenham resolvido fechar uma das tão poucas fábricas de beleza que tínhamos".
Tristeza, perplexidade, indignação e desconfiança dominavam a atmosfera que os bailarinos subverteriam, porém, na sua desesperada e contagiante alegria.Desespero da impotência para inverter o destino por outrém definido, alegria de dançar ainda assim, logo na explosão telúrica e erótica de Cantata, "a agradecer a onda de calor que se gerou à volta deles". Esta vontade - que determinara a prestação pública e gratuita no Teatro Camões, pequeno nos seus quase 900 lugares para acolher quantos queriam integrar "a onda", levando os 27 intérpretes da coreografia colectiva Aqui e Agora, com os músicos do Danças Ocultas, a uma performance suplementar à beira Tejo..[...]..
Tanto que Paulo Ribeiro, o último director, chegado com a família ..[...].. só articulou duas frases "Vim ver os bailarinos pela última vez. Agora não vou dizer nada."
Entre a imensidão de gente que, num domingo 31 de Julho, esperara, firme e com mais de uma hora de antecedência, a abertura da bilheteira improvisada no foyer ..[...].. ombreavam figuras públicas com cidadãos anónimos. À aproximação das 19.00, observava-se certa exaltação por parte de quem não chegara a tempo para ter ingresso - largas dezenas, amontoadas à porta. Entre as figuras públicas ..[...]..encontrámos o casal Manuel Maria Carrilho/Bárbara Guimarães. O professor de filosofia, ex-ministro da Cultura e candidato à presidência da CML, que não tem querido "falar sobre isto" nem comenta propostas avulsas mas acha "um bocadinho esquizofrénico fazer distinções entre o cidadão e o candidato", fez breves declarações ao nosso jornal."Em primeiro lugar, foi uma decisão lamentável extinguir o BG. Azeredo Perdigão, como se sabe, era de Viseu, era um conhecimento de família e, desde miúdo, segui o projecto. O BG era uma das melhores representações exteriores do País. Compreendi mal a decisão, que será legítima da parte duma fundação, mas não se pode abrir mão de uma instituição como o BG, assim, sem mais. É um empobrecimento grande para a cidade e para o País. Principalmente num momento em que as coisas estavam a correr bem, do ponto de vista artístico e [da frequência] de público." Quanto a Lisboa, o candidato autárquico do PS pensa que "tem havido grande desinvestimento e desorientação, com falta de uma política de espaços culturais" e defende que "se pense, para o futuro, a ambição da cidade também no domínio das artes do espectáculo".A extinção do BG, para o encenador João Lourenço, chegado na companhia da tradutora, dramaturgista e professora Vera San Payo de Lemos, "é horrível, inacreditável, não se sabe o que se há-de dizer". Todavia, o director do Novo Grupo/Teatro Aberto diz também que "isto representa um espelho da cultura do País. É um gesto muito feio da fundação acabar com o BG é acabar com muito trabalho e sacrifício, com uma das melhores companhias de dança do mundo. E é um exemplo para o Governo: se a Gulbenkian o fez, por que não podem outros fazer?""Completamente cúmplice" com os atingidos, o cantor Luís Madureira recordava-nos "..[...].. Apesar de a fundação ser livre de fazer o que entender, é uma questão de cidadania. As soluções alternativas apresentadas não me parecem suficientes, enquanto frequentador ou enquanto colaborador."
....[...]..

Monday, August 01, 2005

Adeus


Despedida emocionada

O público acorreu ao Teatro Camões para assistir à última representação do Ballet Gulbenkian e os bilhetes não chegaram para todos. Os bailarinos não encontraram melhor solução do que vir dançar para a rua e foi uma excitação.

http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=168832&idselect=9&idCanal=9&p=94

Flores aos molhos, muitas palmas, abraços e algumas lágrimas nos olhos, marcaram, ontem à noite, no Teatro Camões, no Parque das Nações, Lisboa, a despedida do Ballet Gulbenkian – que oficialmente já perdeu o título e, com bastante ironia, fez imprimir cartazes onde se lia: “Os bailarinos da ‘Avenida de Berna’ voltam a reunir-se”.A noite foi de emoção para todos e o único ‘senão’ de um serão que prometia ser perfeito foi mesmo a confusão que se armou à porta do teatro. É que apareceu muito mais gente do que a organização esperava e, mesmo depois da direcção da sala ter colado um papel onde se lia ‘Lotação Esgotada’, as pessoas não desarmaram e continuaram a fazer fila à porta do Camões.......

Última Dança



ÚLTIMA DANÇA
Lotação muito esgotada e adeus Ballet Gulbenkian


http://jn.sapo.pt/2005/08/01/cultura/lotacao_muito_esgotada_e_adeus_balle.html

Noite de despedida...


despedida
Ó último dia do Ballet Gulbenkian
Houve trocas de aplausos calorosos e de flores entre a plateia e o palco

http://dn.sapo.pt/2005/08/01/artes/o_ultimo_do_ballet_gulbenkian.html