Friday, July 08, 2005

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Quinta-feira, Julho 07, 2005

Extinção do Ballet Gulbenkian
Ontem fui surpreso com a notícia que vinha em todos os jornais, “Ballet Gulbenkian extinguido”.

Fiquei espantado como é possível que isto aconteça e que nada possamos fazer em sentido contrário.

Falamos de uma companhia que nasceu antes do 25 de Abril de 1974, tornando-se como que um marco histórico, e sofrendo mudanças com a revolução da altura.

Prosseguindo percurso e chegando até 2005.

Por lá passaram várias pessoas, que cresceram profissionalmente e aprenderam imenso. Depois vindo a integrar outros grupos de dança, ou até mesmo montando o seu próprio, ou partindo para o estrangeiro por forma a procurar crescer ainda mais em termos profissionais.

Trata-se de uma escola até mesmo para os que saiem da escola superior e tentavam ingressar, com certeza, neste prestigiado grupo de dança.

Um grupo que fez com que Portugal ficasse conhecido no estrangeiro. Oferecia uma programação ao público. E, agora, quando abrirmos a secção da dança nos media, o que vemos por lá? Aonde iremos ver dança como a que o Ballet Gulbenkian nos contemplava e maravilhava?

Como vão os profissionais que integravam o Ballet Gulbenkian ocuparem-se com outro trabalho, depois de tanto terem suado com este grupo?

Como pode isto suceder, sem nada fazermos. E, simplesmente, deixarmos a cortina fechar ao Ballet Gulbenkian, sem podermos esperar que a mesma abra para podermos levantar e bater as palmas de pé. E podermos dizer muito obrigado por tudo o que nos ofereceram com tanto esforço, paixão e carinho. Tudo em detrimento da arte. Sim, porque esta era a luz, com certeza, para vencer todos os obstáculos que foram surgindo no palco da vida de todos que contribuíram para o Ballet Gulbenkian ter chegado até aos dias de hoje.

Peço desculpas por este desabafo, mas trata-se de algo que me transtorna, por mais que tente aceitar e respeitar a decisão da direcção da Gulbekian.
posted by Pepe at 3:12 PM

4 Comments:

Blogger António Gouveia said...

Apesar de licenciado e minimamente interessado pela cultura só três vezes me desloquei às instalações da F. Gulbenkian. No entanto sempre tive essa Fundação como guardiã da cultura mais erudita e também da menos rentável financeiramente. É com profundo pesar e espanto que recebi a notícia da extinção do Ballet da Gulbenkian. Porque será? Por falta de recursos financeiros não me parece...

3:27 PM  
Anonymous Anonymous said...

meus caros,

a minha humilde opinião aqui fica registada.

estamos no inicio de um novo século! de uma nova identidade, de uma nova forma de viver! as mudanças fazem parte da nossa história. e antes de haver não havia e depois de haver não há!

o ballet gulbenkian fez o seu percurso durante 40 anos. de ballet, já pouco ou nada tinha. e portanto, seria necessário repensar um clássico, com uma nova dinâmica e com novos conceitos estéticos. e nada melhor do que terminar algo para começar de algo de novo.

como tal, estou convencido que a Fundação Gulbenkian, não deixará de ter como objectivo central apoiar as artes e novas expressões artisticas como é expresso no testamento do sr. Gulbenkian. de outras formas, com outros objectivos, mas a pensar no futuro e nas novas gerações.

o que me choca verdadeiramente é o pânico generalizado de todos aqueles que por algum motivo estão habituados a serem subsidiados e não a subsidiarem as formas artisticas que amam ou se interessam. de várias formas: pagando o justo custo do bilhete (os espectadores), produzindo ideias e espectáculos para o grande público (os produtores/artistas/coreografos), ou de dotações em dinheiro ou serviços (mecenas, grandes empresas). portanto, se querem a minha opinião, a Gulbenkian já fez o que tinha para fazer! e durante 40 anos!

criou um espaço de representação quando não havia nenhum auditório no país digno desse nome.
criou um serviço de belas artes, com vários serviços num tempo onde o estado não tinha qualquer preocupação. nem o estado, nem a sociedade civil.
criou o ballet Gulbenkian de forma a poder difundir a arte da dança em Portugal e no Estrangeiro (longe vão os tempos quando o ballet Gulbenkian tinha coliseus cheios e faziam tour pelo país inteiro com peças para o grande público), colocando assim o seu investimento ao serviço da educação, da relação entre diferentes culturas e promovendo a necessidade de o grande publico se interessar pelo espectáculo.

portanto, a minha opinião é que a fundação continua na frente, na vanguarda. das ideias. da forma. da educação!

e se me enganar na minha apreciação, que a sociedade civil reclame a tudo aquilo que tem direito, expresso no legado do sr. Gulbenkian, esse sim o verdadeiro mecenas de todos nós que amamos a cultura!

3:35 PM  
Anonymous Vanda Araújo said...

Foi c/ grande consternação e pesar, que recebi a notícia da extinção do Ballet Gulbenkian! Quero expressar a minha mais profunda indignação,por esse facto que nos apanhou a todos de surpresa e, pela falta de respeito que evidenciaram para c/ os profissionais que nele trabalhavam.
Não é justo, que as PESSOAS que levaram tão longe o nome da Fundação, tenham por ela, sido tratadas desta maneira.
Aproveito para expressar aos bailarinos, técnicos e demais pessoal a minha total e humilde solidariedade e agradecer todos os bons momentos que nos proporcionaram ao longo destes anos.
Convosco se fechaum ciclo da cultura, não só Portuguesa mas, mundial.

6:41 PM  
Anonymous Anonymous said...

Desde o início dos anos oitenta que frequento os espectáculos do Ballet Gulbenkian. Primeiro, ia com amigos e colegas, depois os filhos nasceram e chegaram à idade de também serem iniciados, mesmo quando era preciso pôr-lhes várias almofadas e os casacos dobrados para poderem ver os bailarinos. A minha filha dizia em pequena que queria ir ouvir os pés dos bailarinos. Eles cresceram, continuamos a ir todos os anos, agora que já são adolescentes. Mais, no primeiro dia de compra de assinaturas por telefone, ainda não há uma semana,lá liguei a marcar os lugares para os sábados à tarde e ninguém me preveniu de nada. Aturdida, li a notícia sem perceber que estratégia suicida é a que a direcção da FCG está a seguir. De sala cheia, com uma qualidade - dos bailarinos, das coreografias -que fidelizou tanta gente que conheço, o que leva a desarticular a companhia? E porquê agora, já depois de aberto o período de venda de assinaturas? Para os bailarinos, que tantas emoções me provocaram ao longo de tantos anos e cujas lágrimas me comoveram agora, bem como para o director artístico, toda a minha solidariedade.

2:33 AM  

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