Wednesday, July 06, 2005

From "Diário de Noticias, 06.07.05"

http://dn.sapo.pt/2005/07/06/artes/gulbenkian.html

Gulbenkian extingue Ballet

Eram quatro e meia da tarde de ontem quando os 15 bailarinos, que se encontravam no estúdio do Ballet Gulbenkian (BG) a ensaiar uma nova criação para a próxima temporada 2005/2006, se depararam com a presença do director de Serviço de Música, Pereira Leal. Ninguém supunha o que os aguardava. Um dos elementos presentes contou ao DN que Pereira Leal começou a ler o comunicado do Conselho de Administração (CA) em que era anunciada a extinção da companhia, mas a emoção impediu-o de continuar. Teve de ser o director adjunto, Rui Vieira Nery, a lê-lo até ao fim. A partir daquele momento, o BG desaparecia, sendo cancelados todos os espectáculos. Os 15 bailarinos presentes entraram em "estado de choque" com a notícia. "A nossa reacção? Chorámos e assim continuamos, a chorar. Ainda não acredito", conta ao DN o bailarino Romeu Runa, que recentemente recebeu o Prémio Almada, de consagração. Meia hora mais tarde, o documento seguia para as redacções, sem comentário da instituição. O comunicado do CA da Fundação, além de anunciar a extinção da companhia, criada há 40 anos, enuncia várias "modalidades alternativas" para apoiar a dança.O documento de duas páginas sublinha que o panorama da dança se tem alterado profundamente, fazendo um diagnóstico, em que sublinha várias "necessidades" garantia da boa qualidade profissional dos bailarinos, experiência de iniciação e coreografia e ainda o facto de públicos de fora de Lisboa e Porto terem direito a usufruir de produções de qualidade.Em "substituição" da companhia, a fundação prefere, entre outras iniciativas, instituir bolsas para o estrangeiro, fazer acções de formação, contribuir para a interna- cionalização da dança contemporânea portuguesa e convidar companhias nacionais. A extinção do Ballet "deverá estar concretizada até Agosto de 2006", lê-se no documento, em que se adianta que o CA "entendeu também cancelar todos os espectáculos de dança que se encontram programados". O contrato dos colaboradores da companhia cessa, mas fica assegurado "um tratamento compensatório significativamente mais vantajoso do que decorreria do mero cumprimento das obrigações laborais que impendem sobre a fundação". Os colaboradores que desejem criar a sua própria companhia, esclarece o documento, poderão usufruir de "um esquema de apoio".Segundo o DN apurou, deverão ser directamente atingidos entre 20 e 30 bailarinos residentes, portugueses e estrangeiros, não devendo a extinção do Ballet afectar os técnicos de palco. O DN tentou contactar o actual director artístico, Paulo Ribeiro, mas tal não foi possível até ao fecho desta edição.A ideia vem de longe, como lembrou Olga Roriz (ver depoimentos), podendo ler-se esta intenção em entrevistas, nomeadamente de Sá Machado. Em 1994, ao DN, o falecido administrador perguntava-se "(...) Deve ser a fundação a responsabilizar-se pela propriedade e gestão das companhias [Ballet e Orquestra]?" A seu ver, acrescentaria em 1988, estes dois agrupamentos, só deveriam continuar enquanto fosse possível "compatibilizar o grau de excelência requerido com a tolerabilidade dos custos".Era então salientado pelo responsável que tanto a Orquestra como o Coro e o Ballet Gulbenkian tinham despesas consideradas "muito elevadas".

7 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Portugal no seu píor!Incompreensivel.

4:24 PM  
Anonymous Anonymous said...

it really couldn't get any worse. shocking, abominable, truly shameful and desgusting. there is nothing more to say.

11:33 PM  
Anonymous Anonymous said...

A administração desta fundação tem ordenados pricipescos, também seria interessante o povo deste país, apesar de ser privada, saber quanto arrecada este pessoal

9:02 AM  
Anonymous morag deyes said...

Its an outrage that this should happen at a time when we need beauty and art more than anything to heal, console and agitate.

Dont give up the fight (get up stand up)

Morag
Dance Base
Scotland

2:59 PM  
Anonymous Anonymous said...

meus caros,

a minha humilde opinião aqui fica registada.

estamos no inicio de um novo século! de uma nova identidade, de uma nova forma de viver! as mudanças fazem parte da nossa história. e antes de haver não havia e depois de haver não há!

o ballet gulbenkian fez o seu percurso durante 40 anos. de ballet, já pouco ou nada tinha. e portanto, seria necessário repensar um clássico, com uma nova dinâmica e com novos conceitos estéticos. e nada melhor do que terminar algo para começar de algo de novo.

como tal, estou convencido que a Fundação Gulbenkian, não deixará de ter como objectivo central apoiar as artes e novas expressões artisticas como é expresso no testamento do sr. Gulbenkian. de outras formas, com outros objectivos, mas a pensar no futuro e nas novas gerações.

o que me choca verdadeiramente é o pânico generalizado de todos aqueles que por algum motivo estão habituados a serem subsidiados e não a subsidiarem as formas artisticas que amam ou se interessam. de várias formas: pagando o justo custo do bilhete (os espectadores), produzindo ideias e espectáculos para o grande público (os produtores/artistas/coreografos), ou de dotações em dinheiro ou serviços (mecenas, grandes empresas). portanto, se querem a minha opinião, a Gulbenkian já fez o que tinha para fazer! e durante 40 anos!

criou um espaço de representação quando não havia nenhum auditório no país digno desse nome.
criou um serviço de belas artes, com vários serviços num tempo onde o estado não tinha qualquer preocupação. nem o estado, nem a sociedade civil.
criou o ballet Gulbenkian de forma a poder difundir a arte da dança em Portugal e no Estrangeiro (longe vão os tempos quando o ballet Gulbenkian tinha coliseus cheios e faziam tour pelo país inteiro com peças para o grande público), colocando assim o seu investimento ao serviço da educação, da relação entre diferentes culturas e promovendo a necessidade de o grande publico se interessar pelo espectáculo.

portanto, a minha opinião é que a fundação continua na frente, na vanguarda. das ideias. da forma. da educação!

e se me enganar na minha apreciação, que a sociedade civil reclame a tudo aquilo que tem direito, expresso no legado do sr. Gulbenkian, esse sim o verdadeiro mecenas de todos nós que amamos a cultura!

3:31 PM  
Anonymous Anonymous said...

a inveja e ciume que muitos tinham infelizmente sortiu efeito, o ballet gulbenkian esta extinto.de repente parece pelas palavras de alguns que o bg foi aquilo que atrasou a danca independente em portugal,alguns esperam ansiosamente pelo dinheirinho fresco que vai mudar, oque?continuarao a ser os mesmos lobys? a extincao de ums nunca podera ser a felicidade dos outros , porque o dinheiro e muito mas nao vai chegar para todos . os abutres ja estao a sobrevoar a carcaça.

6:50 PM  
Blogger Mariagrazia said...

Um absurdo!!! É uma perda incalculável e incompreensível!!!
Não sou portuguesa, sou Italiana mas desde os primeiros dias que cheguei a Portugal há 17 anos é que assisto ao Ballet da Gulbenkian e o tenho em muita consideração por ser único e maravilhoso. Como pode acabar assim sem motivos aparentes? E a cultura de Portugal e os jovens aspirantes a bailarinos e os nossos serões?

Vamos nos unir para pedir o "RETORNO"!

Mariagrazia Marini Luwisch

http://www.psico-online.net

8:11 PM  

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