Thursday, July 07, 2005

Ballet Gulbenkian: an extinct existence

July 6th, 2005 Lisbon

Dear Dance Community,

We would like to inform you that we have been hit. The entire company was disbanded yesterday at 4.30pm local time and we join the list of grand companies that breathed their last breadth.

Not only was Ballet Gulbenkian a world renowned repertory company, but was also considered a national monument, a Portuguese pride. For 40 years the company has grown into a name you have heard of, have seen perform and dancers have profited from.

The decision was sudden and painfully brutal taking us and the dance world by surprise. The decision was not for financial reasons as seems to be the norm today.

We share our fate with you in the hope that you will react to our loss and to the reverberations this act has on the dance world internationally.

We hope for your rapid response so that the weight of your support will show solidarity and remind those that have forgotten of the immense importance dance has in life.

Please contact us:
balletgulbenkian@yahoo.com
fax:+351 21 7823267
fax:+351 21 7276983
fax:+351 21 8492173
feel free to comment here: balletgulbenkian.blogspot.com


Sincerely Yours,
The Gulbenkian Ballet Community

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

O Anjo Agónico

Ainda me lembro da primeira vez que assisti a um bailado ao vivo.
Teria eu 6, 7 anos?
Disso já não me lembro bem, mas das três peças, apresentadas no D. Maria, e daqueles corpos elásticos que se contorciam no palco, lembro-me como se fosse hoje.
Nessa altura, como todas as miúdas, as minhas paixões estilísticas dirigiam-se aos frus-frus, às sapatilhas de ponta, aos vestidos brancos de saias de tule esvoaçantes, e o meu paradigma de beleza ao Lago dos Cisnes. Foi por isso um momento mágico ver um excerto das Sílfides, brancas, esvoaçantes, harmoniosas.
Mas houve neste espectáculo outra revelação que me marcou para o resto dos dias. Para além destes movimentos, os bailarinos podiam também contorcer-se de forma aparentemente desordenada e magnífica, com fatos coleantes que lhes deixavam os músculos a descoberto em desenhos extraordinários de força e beleza.
Numa das peças um anjo é ferido de morte.
A sua agonia transformou-se num conjunto de movimentos desesperados de luta e submissão.
As grandes asas que lhe prolongavam os membros e o impeliam para cima não foram suficientes para o salvar e o final da coreografia passou-se no chão, terrífica e terrenal.

E se este primeiro contacto não televisivo com o bailado se fez com a Companhia Nacional, a formação complementar nos anos seguintes fez-se com o Ballet Gulbenkian.
A partir deste momento, todas as temporadas me encontravam sentada no balcão expectante, ansiosa pela surpresa do próximo programa.
A dança moderna conquistou definitivamente as minhas preferências e quando as luzes se apagavam e a dança invadia o palco eram os movimentos vigorosos, lânguidos, suaves, nús e crus que me deixavam fascinada.
O despojamento da dança moderna rapidamente superou os frus-frus e o Ballet Gulbenkian tornou-se o marco, o espaço de todas as aprendizagens e fruições.
Não sei durante quantos anos não perdi uma temporada. Houve peças que vi mais de 3 vezes - Danças com Espíritos, Sergeant Earlier Dream, Jardim Cerrado... -, coreógrafos que me faziam comprar o bilhete com antecipação ansiosa e bailarinos que me suscitaram paixões assolapadas.
Tantas destas peças e suas memórias se cruzam com a minha vida de formas de tal forma idiossincráticas que se tornaram marcos temporais pessoais difíceis de destrinçar e explicar.
O Ballet Gulbenkian atravessou praticamente todos os anos da minha vida, da primária à Faculdade, e quando há uns anos retomei esta frequência regular da temporada voltei a sentir que a qualidade extraordinária dos bailarinos imprime uma unicidade insuperável a esta companhia no panorama nacional.

Quando ontem soube a notícia de que o Ballet Gulbenkian terminava não quis acreditar.
Morreu de morte não anunciada.

Dói-me esta extinção não esperada.
Cresce-me uma tristeza funda.
Morre-me parte da vida, das memórias, das aprendizagens.
Desapareceu uma fatia insubstituível da vida cultural nacional.

E é por isso que me retorna a imagem do anjo moribundo em estertores de dor e impotência.
O corpo branco, moldado e agonizante, a mancha vermelha no peito a tingir-lhe aos poucos as asas que o impedem de voar.
O desespero iluminado no palco.
Desce o pano.
Fim.

Como diz José Saramago, no Memorial do Convento:
"Que os homens são anjos nascidos sem asas, é o que há de mais bonito, nascer sem asas e fazê-las crescer.
Isso mesmo fizémos com o cérebro, se a ele fizémos, a elas faremos."

Saberemos fazer crescer novas asas?!


Susana Silva, 5 de Julho de 2005

10:24 AM  
Anonymous Anonymous said...

Já existe uma petição on line. Divulguem-na!
http://www.petitiononline.com/bg05ext/petition.html

10:27 AM  

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